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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

2101 - Kicoisa ou Kibamba?

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O BISCOITO MOLHADO

Edição 3901 Edição 15 de fevereiro de 2012

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COMENTÁRIOS SOBRE EDIÇÕES PASSADAS

Comentei dia desses o vídeo em que a Jane Fonda enaltece a velhice (a outra opção é a morte), descartando a entropia da segunda lei da termodinâmica, ou seja, a queda depois do “auge” e o CAT – Carlos Alberto Torres – reagiu com indignação. Ele não estava irritado com os argumentos apresentados e sim, com a apresentadora.

Lembrou o xará do grande capitão do escrete brasileiro de 1970 que a Jane Fonda foi a Hanói, no momento mais crítico da Guerra do Vietnã e posou, num clima de festa, sentada num canhão de defesa antiaéreo dos inimigos dos americanos. Ela seria – escreveu – fuzilada como traidora em qualquer outro país.

Concordamos; por muito menos, ou seja, porque fornicaram com os alemães, na França ocupada, na Segunda Grande Guerra, as francesas tiveram os seus cabelos cortados no meio do escárnio popular. Quanto à Jane Fonda, continuou a exibir suas belas madeixas douradas nas telas do cinema.

Na época em que a atriz posou para as fotografias sentada nos canhões inimigos, ela era casada com um ativista político da esquerda, o senador Tom Hayden que, certamente, a influenciou.

É evidente que o governo Nixon, os conservadores e muitos veteranos de guerra, na época, quiseram vê-la enforcada nas tripas do marido. O apelido com que até hoje ela é tratada, “Hanói Jane”, demonstra que não é só o nosso amigo CAT que se lembra dessa grande batatada na biografia da filha de Henry Fonda.

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Depois de ler mais uma edição do Biscoito Molhado que recebeu de mim pelo Yahoo sobre os taxistas da cooperativa Metrô Táxi, Dieckmann colocou um asterisco num comentário do 017 – “a temperatura do congelador de uma geladeira é 0 (zero) grau” – e digitou:

“A água se torna sólida a 0 grau, mas a temperatura do congelador é -6º.

Mas onde o Dieckmann caprichou mesmo no asterisco foi no Biscoito Molhado que transcreveu diálogos do Sabadoido sobre as letras da Bossa Nova. Avesso a versos passionais, a temperamentos depressivos, ele escreveu, entre outras coisas:

“... Talvez isso possa ser debitado às gerações que não escutaram as músicas imediatamente anteriores à chegada da Bossa Nova. As letras eram densas, sobre corações dilacerados, abandonos hediondos, traições, ciúmes e outras deturpações da alma e da paixão. Quando a Bossa chegou com a praia, o rebolado, o barco, não foi só a alternância de tons dentro da música que veio como inovação, mas toda a referência. Os temas largaram as agruras da alma e buscaram objetos, adjetivos e locações que combinassem com a leveza que se propunha musicalmente.”

“Interessante que Chega de Saudade é, ao mesmo tempo, uma letra inovadora e um basta nos trituradores da alegria, desde o título até os beijinhos, peixinhos e abraços.” - concluiu.

Dieckmann não se aprofundou nas origens da Bossa Nova para ser convincente na sua argumentação. A Bossa Nova, além de ter recebido influência do impressionismo de Debussy, na harmonia, principalmente em “Chovendo na Roseira”, de Tom Jobim, foi marcada por duas vertentes do jazz, o cool jazz e o bebop. Vinícius de Moraes quando recebeu de Tom Jobim a música de Chega de Saudade para colocar letra, já carregava uma apreciável bagagem de quem conviveu com os mais celebrados jazzistas americanos na época em que foi vice-cônsul do Brasil em Los Angeles.

Com aquela música do seu parceiro nos ouvidos, Chega de Saudade, ele logo sentiu que ali cabia uma letra cool (calma, despojada, descompromissada, na falta de melhor tradução). Enfim, o gênero musical que surgia não se ajustava aos “trituradores da alegria”, como o Dieckmann tratou os letristas passionais.

A Bossa Nova alcançou sucesso nos Estados Unidos, no Japão, mas, no Brasil, ao completar os 50 anos de existência, não mostra o mesmo vigor do Choro, que tem mais de 150 anos e do centenário Samba. Como já escreveram (o João Máximo foi um deles) a Bossa Nova se esgotou, deixou de ser um gênero musical para se tornar um repertório, as composições são as mesmas, não há renovação.

O brasileiro é latino, como o argentino, que gosta de tango; o mexicano, que gosta de bolero; o italiano que gosta das óperas. Nosso temperamento necessita não só de músicas alegres como também daquelas prenhes de paixão para se sentir satisfeito. O ser humano, enfim, precisa de músicas tristes para sublimar seus sofrimentos. (*)

Dito isso, vou escutar agora “Vingança” de Lupicínio Rodrigues para, depois, prosseguir na redação deste Biscoito Molhado.

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Meu amigo Elio (como diz o Luca) escreveu penalizado porque eu não incluí o Kikoisa e o Kibamba na edição sobre as minhas reminiscências infanto-juvenis. E acrescentou: “... Kikoisa era uma pequena barra, endurecida por fora, mas mole por dentro, revestida de chocolate escuro, com chantilly branco por dentro, que vinha envolvida em um papel meio seda, pintado de prata, marrom e verde e era vendido nos carrinhos da Kibon, junto com os sorvetes. Era primo-irmão do Kibamba, também de chocolate por fora, mas o chantilly por dentro era misturado com chocolate, daí a cor amarronzada que ganhava.”

Eu não escrevi porque, infelizmente, o Kikoisa e o Kibamba não estavam no meu cardápio, talvez estourassem o orçamento dos meus pais que tinham quatro filhos adoradores de sorvetes.

Como citei o Grapete, perguntou-me o Elio de que era feito. Bem, na época, eu só sabia que quem bebe Grapete, repete; não só bebia, como sentia a força dessa rima (ou será bebida? ). Lembra o nosso amigo que, apesar da crença geral, o Grapete não era de uva e sim, de framboesa.

No Sabadoido, o Luca, de maneira menos direta do que o nosso amigo Elio, se referiu ao “rabo quente”.

O “rabo quente”, um rádio que trabalhava com corrente contínua e alternada, chegou ao Brasil no fim dos anos 40 e durante muitos anos prevaleceu nos nossos lares. Como nunca ouvi, lá em casa, alguém chamar o rádio por esse apelido, não cuidei dele nas minhas recordações.

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Sobre o diagnóstico do meu sobrinho Daniel da perda da sua fluência em inglês devido à falta dos alemães para dialogar nos Correios, conforme registro de um Sabadoido, Dieckmann redigiu o seguinte asterisco:

“Há uma razão para cariocas e alemães se entenderem bem em Inglês (isto não vale para paulistas): a pronúncia do Alemão e do Português é muito assemelhada, praticamente se fala tudo como se lê – exceção para ei, eu e outras pequenas diferenças. Além disso, cariocas tem um erre gutural que cai bem com alemães e holandeses e que os faz sentirem-se em casa, mas que faz a diferença entre os nativos da língua inglesa. Já paulistas, mineiros e outros interioranos falam door igualzinho aos ingleses.”

E terminamos por aqui.

(*) É uma visão limitada. O ser humano pode resolver seus problemas sem músicas tristes. Isso não invalida a beleza das músicas, sejam tristes ou não. O que o Dieckmann procurou mostrar – como confidenciou ao Distribuidor do seu O BISCOITO MOLHADO – foi que a chegada da Bossa Nova interrompeu um ciclo de lamentos, muitos dos quais de baixa qualidade.

O que mata é a baixa qualidade, seja no lamento, seja na Bossa Nova e que, por isso, virou um repertório. Isso foi bom lembrar. Bach também é um repertório, nunca mais se renovou.

Um comentário:

  1. KiKoisa e KiBamba eram exatamente o contrário do que seu amigo explicou ... o KiKoisa era amarronzado por dentro, e não era chantilly, era uma massa tipo Maria-Mole ... Já o KiBamba tinha um massa branca por dentro, mais parecida com marshmallow do que com chantilly. Salvo melhor explicação.

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