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quinta-feira, 17 de julho de 2014

2649 - Choro pela metade


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O BISCOITO MOLHADO
Edição 4899                      Data:  de  julho de 2014
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CHORO E CLARINETE NO RÁDIO MEMÓRIA
1ª PARTE

Curiosidade, Humor e Entrevista foi o anúncio costumeiro do início do Rádio Memória. Só não houve entrevista, mas não faltaram o humor e as curiosidades.
6 de julho de 2014, o Homem-Calendário não veio trabalhar, mas o Sérgio Fortes, sim, e demonstrou o seu espanto com a aceleração do tempo
Jonas Vieira se disse sufocado com tantas notícias sobre a Copa do Mundo, Sérgio Fortes e muitos ouvintes, foram solidários com ele. Não deixou de fazer justiça à TV Globo pela exitosa divulgação das partidas, mas fez a ressalva:
-Em compensação, o lado B da Globo...
Sérgio se reportou ao sucesso, até então, da Copa, à felicidade dos organizadores (isso antes do jogo contra a Alemanha) e chamou a atenção para o “day-after” da Copa.
-Pão e circo, muito mais circo do que pão. - enfatizou.
-Admirável o congraçamento dos brasileiros com os turistas.
-Vamos aguardar a final. - não se mostrou o Sérgio Fortes, tão otimista quanto o seu amigo.
E Jonas Vieira foi ao objetivo do Rádio Memória desse domingo:
-Vamos homenagear clarinetistas maravilhosos. Começaremos com Severino Araújo. Ele compôs e interpretou o chorinho “Desconcertante”.
Reinou, então, absoluto, o clarinete do artista de mil talentos.
-Era o tempo das orquestras.
Sérgio Fortes não se embeveceu por muito tempo, porque o titular do programa lhe cobrou logo a próxima atração musical.
-Vamos matar saudades do “Choro na Feira”.
Antes, referiu-se ao bar na General Glicério onde ele e o Jonas Vieira degustam boas tulipas de chope e dividem seus pastéis com os passarinhos, como se fossem dois seguidores de São Francisco de Assis, sem embebedar as aves canoras.
-Entregando o nosso reduto? - repreendeu-o o Jonas Vieira.
Sérgio Fortes passou da festa no bar para o “Choro na Feira”, nomeando seus integrantes: Marcelo Bernardes na clarineta, Franklin na flauta, Ignez Perdigão no cavaquinho, Clarice Magalhães no pandeiro, Matias Corrêa no contrabaixo, Domingos Teixeira no violão e banjo. No fim, pediu atenção para a leitura deles do “Feitiço da Vila”, de Vadico e Noel Rosa.
A excelência da interpretação aflorou a revolta do Jonas Vieira contra os que não cultivam a boa arte.
-Isso não toca na Globo nem que o doutor Roberto Marinho peça.
-É cláusula do regimento interno da Globo não permitir música de qualidade.
Sim, todos sabemos disso, mas um dos filhos do Roberto Marinho, - fomos informados por uma parente de um exímio instrumentista - que o empresário  contrata artistas, ele, na maioria das vezes,  para concertos particulares. Para os dirigentes da Globo, arte, para o povão, mediocridade musical.
-Noel Rosa morreu só com 26 anos.
-E deixou pérolas, não sei quantas. - seguiram-se as palavras do Jonas Vieira as do Sérgio Fortes.
-Que poeta!
-Essas caras morrem cedo.
-Jonas, eles morrem cedo porque eu acho que a missão deles já está cumprida.
-Jesus morreu com 33 anos.
-Baseado nessa teoria, vou viver 110 anos. - especulou o Sérgio.
-Eu penso em viver 120 anos. - confessou o Jonas Vieira o seu desejo de ser Matusalém.
Contradizendo o que se comentava, talvez a maior diva da ópera, Magda Olivera, chegou aos 104 anos de idade, fato esse lembrado pelo tenor Plácido Domingo, poucos dias antes, na entrevista que concedeu ao Roberto D' Ávila.
A conversação sobre a terceira e quarta idades chegou até os bancos, onde Sérgio Fortes teve dificuldades de fechar uma negociação (nada comparável com o problema da Cristina Kirchner), que ele já realizara antes, sem dificuldades,  isso porque ficou mais velho.
Era a hora da música, e Jonas Vieira retomou a palavra.
-Esse foi um clarinetista extraordinário e também humorista; formou com o Jararaca uma dupla fantástica no rádio. Era humor da melhor qualidade, sem apelação.
E completou:
-Ratinho foi músico e compositor. Aqui, ouviremos o choro dele e do Jararaca, “Pinicadinho”.
Eu, que me deliciava com “Saxofone, Por que Choras?”, fui apresentado a outra inspirada composição do Ratinho. Meu pai costumava me contar as piadas da dupla Jararaca e Ratinho da época do rádio, uma delas dizia respeito à Fuga de Bach (uma corrida que se encerrava com o bater dos pratos de uma bateria ou algum assim). Ainda vi a dupla em programas televisivos e ficava impressionada com o fôlego inesgotável do Ratinho na clarineta ou saxofone (sempre abria-se um momento nas músicas para ele emitir uma nota que parecia eterna pela sua respiração).
-Essa música está também proibida na Globo. - foi a constatação do Sérgio Fortes depois da audição.
-Não passa nem na porta. - concordou o titular do programa.
-Lá, na TV Globo, tem, na porta, um detector de boas músicas que acende a luz vermelha e toca a sirene de alarme. - frisou o Sérgio.
Como eram duras as críticas, Jonas Vieira contemporizou elogiando as novelas e o telejornalismo, mas ficou logo sem argumento:
-Mas, musicalmente, a TV Globo é sofrível.
E voltou a atividade fim, como dizem os administradores de empresa, do Rádio Memória.
-Da mesma época do Ratinho, um músico fenomenal, que deve ter sido o maior clarinetista do Brasil: Luiz Americano. Ele foi fantástico como músico e compositor.
Antes de soar o clarinete do grande artista, ele teceu algumas considerações sobre o caráter do homem, nem sempre digno de elogios.
-Até o Benedito Lacerda, que não era de bater em ninguém, encontrou-se com ele na calçada do Teatro Municipal e mandou-lhe a fralda.
-Foi mesmo?- espantou-se o Sérgio.
Fosse o Simon Khoury e saberíamos muito mais do que foi contado. Um dos pilares do Rádio Memória – Curiosidade – seria mais explorado. Contudo, o decano da radiofonia do Rio de Janeiro se restringiu à música, informando que ele fora convidado para tocar em Buenos Aires, que declinou do convite porque aqui era o rei.
-Agora, o choro da sua autoria, “Esses São Outros”.
A excelência do Luiz Americano no instrumento empolgou o Sérgio Fortes, que comentou:
-O clarinete é muito importante na orquestra; eu constato na Orquestra Sinfônica Brasileira, que há uma dinastia de grandes clarinetistas.
-É um instrumento que surgiu para solar. É muito expressivo. - assinalou o Jonas Vieira.
Voltando no tempo: o clarinete foi introduzido nas orquestras sinfônicas por volta de 1750, sendo um dos últimos instrumentos de sopro incorporados. O concerto para clarinete e orquestra de Mozart o consagrou definitivamente.





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