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segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

3006 - A ópera da terra de ninguém


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O BISCOITO MOLHADO

 

Edição 5255SX                                 Data:  11 de janeiro de 2016

 

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“NESSUN DORMA”. ALGO MAIS.

 

 

“Nessun Dorma”, a crônica emocionada que o Daniel escreveu para homenagear seu tio Carlão, mexeu com todo mundo. E me motivou a “cometer” alguns comentários adicionais sobre essa belíssima ária da ópera "Turandot", de Giacomo Puccini.

 

“Nessun Dorma” foi, desde sempre, um desafio a ser enfrentado pelos grandes tenores da cena lírica. Seu libreto, como frequentemente acontece no mundo da ópera, é um tanto ou quanto amalucado.

 

O desconhecido Príncipe Calaf chega a um reino também desconhecido e se apaixona pela Princesa Turandot. Ela não quer assunto com ele. Mas, quem sabe, pode até aceitar uma conversa, desde que o tal príncipe responda corretamente três enigmas a serem por ela propostos. Já fizera isso com dezenas de pretendentes, que erraram as respostas, sendo, por conta disso, devidamente decapitados. 

 

O problema é que Calaf acerta os três enigmas! Turandot fica desesperada. Em meio a um ataque de pelanca da insensível princesa, Calaf propõe uma alternativa para ela tentar virar o jogo: ela sairá vitoriosa e ele abrirá mão do colóquio, se Turandot acertar não três, mas apenas um enigma. Trata-se de descobrir qual é o nome do príncipe (até aquele momento não mencionado na presença da princesa).

 

Turandot mobiliza sua corte para descobrir o nome do viajante. Todos ficam proibidos de dormir, até que se mate a charada. “Nessun Dorma” (Ninguém Durma!) é a ária cantada por Calaf no segundo ato da "Turandot”, confiante em sua vitória final. Ao Google para saber como a história termina! (*)

 

 

A decisão de produzir "Turandot", aquela que viria a ser sua última ópera, foi tomada por Giacomo Puccini em março de 1920, depois de uma reunião que manteve com Giuseppe Adami e Renato Simoni, os libretistas da ópera. Somente em janeiro de 1921 começaria efetivamente a compor. Em março de 1924, a ópera estava quase completa, faltando apenas o dueto final, envolvendo Calaf e Turandot. Nos meses seguintes Puccini discutiu exaustivamente com seus libretistas os detalhes do final da encenação. No dia 8 de outubro, finalmente aprovou uma quarta versão de Giuseppe Adami para os versos do dueto.

 

Dois dias depois, Puccini, fumante compulsivo, foi diagnosticado com câncer de garganta. Embarca para Bruxelas, em busca de tratamento. Foi operado no dia 24 de novembro, morrendo cinco dias depois, vitimado por complicações decorrentes da cirurgia.

 

Puccini deixou 36 folhas com esboços e instruções para o final da ópera. Queria que Ricardo Zandonai concluísse o trabalho. Mas Tonio, filho de Puccini, criou objeções e escolheu Franco Alfano, discípulo do mestre, para essa tarefa. A primeira versão do trabalho de Alfano não foi aprovada pelo editor Ricordi e pelo Maestro Toscanini. Prevaleceu uma segunda versão, mais fiel às anotações de Puccini.

 

No dia 25 de abril de 1926 aconteceu a estreia da ópera no Scala de Milão. No momento em que iria começar o dueto final, o maestro Toscanini, numa atitude surpreendente, depositou a batuta e parou a orquestra. Voltou-se para a plateia para dizer: “Aqui a ópera acaba. Porque nesse ponto o Maestro morreu”.

 

O Biscoito teria feito o mesmo.

 

(*) Coisa nenhuma! O Biscoito jamais perpetraria uma maldade dessas!

 

2 comentários:

  1. Daniel quando me enviou "Nessun Dorma" ainda estava sobre forte emoção do fatídico 11/12/2015. Li, reli e mandei para o Elio que enviou para o Dieckmman publicar. Desta ópera, eu só fiquei sabendo mesmo do trailer que o Carlos fez para o sobrinho. Que bom que o Sergio Fortes, num só ato, me "desperta", traduzindo toda a beleza que contém esta composição dramática. Não é a toa que o Dieckmman pôs nas iniciais do Sergio um X, dando-lhe uma graduação que realmente ele merece.
    Luca

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  2. X é uma letra que denota incerteza, experiência. SX decorre do fato de que nunca se sabe onde aonde os textos do S vão parar.

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