Total de visualizações de página

188,455

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

2525 - Calado!



------------------------------------------------------------------------
O BISCOITO MOLHADO
Edição 4325                         Data: 09 de dezembro  de 2013
--------------------------------------------------------------------

PROVOCAÇÕES NO RÁDIO MEMÓRIA
PARTE II

E aí?
A pergunta foi dirigida ao Dieckmann, que responde mesmo quando não lhe perguntam nada.
-Eu vou trazer o meu xará, Dick Farney, que também nasceu no dia 14 de novembro; as semelhanças entre mim e ele são muitas.
Um esclarecimento: são xarás no apelido, pois o nome do cantor é Farnésio. Na realidade, Dieckmann recorreu a uma licença poética ou lá o que seja, pois seu apelido é Bob e não Dick, por não se chamar Ricardo e sim, Roberto. Também o chamam pela abreviatura do seu sobrenome, Dieck. Mas como a pronúncia é a mesma... Vá lá: ele é xará do Dick Farney, do Dick Tracy, de Tricky Dick que era o codinome do presidente Richard Nixon, etc.
-A voz do Dick Farney guarda muitas semelhanças com a de Dick Haymes (outro xará). - interveio o Jonas Vieira, que prosseguiu:
-Dick Haymes chegou a superar o Frank Sinatra em popularidade, mas envolveu-se com muitas mulheres. Pecou pelo excesso...
-A música que vamos escutar é “Não tem solução”, do Dorival Caymmi e Carlos Guinle.
Depois de o Dieckmann expressar a sua surpresa com a parceria do Carlos Guinle que, na verdade, arriscou-se em algumas composições, não se limitando em ser apenas milionário, o samba foi tocado. (*)
Jonas Vieira ainda insistiu em evocar o grande cantor dos Estados Unidos:
-Dick Haymes cantou com a orquestra do Harry James.
-O estilo do canto do Dick Farney não era o do Bing Crosby.
-Era do Dick Haymes que, na realidade, nasceu na Argentina, não nos Estados Unidos. -aparteou o Jonas Vieira o seu convidado.
-Dick Haymes, “el arrentino”. - não perdeu o xará dele a piada.
Dieckmann tinha agora de ouvir (o que para ele é uma tortura), outra pessoa, no caso, o Sérgio Fortes, pois a escolha musical era dele agora.
-A música é “String of Pearls”, que foi gravada pela orquestra de Glenn Miller em 1941, com os irmãos Les & Larry Elgart.
-Elgart Brothers. - não se conteve o Dieckmann.
-Os compositores de “String of Pearls” são Jerry Gray e Eddie De Lange.
-Uma homenagem ao Biscoito. - disse o Dieckmann depois de o Jazz ser ouvido.
-Duvido que ele não goste.
Gostei, gostei.
E continuou:
-Depois de o Sérgio Fortes falar, no Rádio Memória, do Biscoito Molhado, os acessos ao blog, que subiam de 10, por dia, passaram a 200.
E nós, da redação deste periódico, que imaginávamos que essa alavancagem fosse por causa dos exemplares que se referiram ao futebol... Ainda assim, ficam aqui nossos agradecimentos ao filho do grande barítono Paulo Fortes.
O titular do programa interferiu para anunciar a “Pausa para Meditação”, crônica do Fernando Milfond, que trataria do tema: “A preferência das mulheres”.
Prestamos atenção num trecho da locução do José Maurício, que repercutia as palavras do cronista. Eis o trecho: as inglesas preferem os homens cabeludos. Em seguida, passei a mão pela cabeça e constatei mais uma vez que o passar dos anos me deixou com uma pequena erosão capilar, nada alarmante no Brasil, mas na terra da rainha sim.
-”É dos carecas que elas gostam mais” - diz a marchinha de carnaval que não é mais ouvida neste país e muito menos em solo inglês.
Concluí que homens hirsutos, como o ator Tony Ramos, fariam grande sucesso por lá com a mulherada. E o Simon Khoury?... Pobre dele...
O segundo tempo do programa se iniciou com a preferência musical do Jonas Vieira. Vamos a ela.
-A música é do grande compositor americano Cole Porter.
Vem coisa boa aí – não podia ser outra a expectativa. E veio não só uma coisa boa, como surpreendente.
-Vamos ouvir “I Love You”, de Cole Porter, declamado pelo ator Douglas Fairbanks, Jr com a orquestra de Andre Kostelanetz. Notem as diversas inflexões que ele dá a “I love you”.
Douglas Fairbanks, Jr não tinha a dicção de um Richard Burton, mas impressionou e comoveu.
-Obra-prima! - exultaram.
-Puro enlevo! - exclamou o Dieckmann.
Em seguida, veio a sua ameaça:
-Vou quebrar esse enlevo. Escolhi uma banda de rock. Um “arraso”!... 
E anunciou a banda americana de rock and roll “Blood, Sweat and Tears”, formada em 1967, no agitado “Lucretia Mac Evil”.
Não estaria o Dieckmann provocando o Jonas Vieira com todo esse ritmo depois de tanta suavidade criada por Cole Porter, Andre  Kostelanetz e Douglas Fairbanks Junior?  Uma coisa é certa: ele agradou a ala jovem e o maternal da Petrobras.
A vez passou para o Sérgio Fortes.
 -”Married Life”... Eu não sabia nada dessa música, mas o Peter sabia tudo. Ele me disse que é do Filme “Up To 2009”, da Disney, que passa toda hora na televisão.
É verdade, lembra-me o filme “Areias Ardentes” a que fui obrigado assistir umas duzentas vezes quando o presidente Jânio Quadros impôs um filme brasileiro para cada estrangeiro que fosse à tela. A grande diferença é a não obrigatoriedade de se ver “Up To  2009”.
E concluiu:
-Composição de Michael Giacchino.
Dieckmann elogiou a gravação e aportuguesou o nome do compositor ítalo-americano: “Miguel Joaquim”.
Depois de comentários descontraídos, o titular do programa disse:
-Dieckmann, você com a palavra.
Isso é um perigo, pois há o risco de ele falar mais do que o Leonid Brejnev no Politburo. Mas Dieckmann surpreendeu:
-Não vou falar nada. Vamos ouvir primeiro.
E a placitude melódica do programa foi quebrada pela segunda vez.
-Roberto Dieckmann, identifique tudo. - solicitou o Jonas Vieira.
 E Dieckmann identificou o corpo estranho:
-É uma homenagem às mulheres, “Wild Women”.  O cantor, Albert King, guitarrista e cantor de blues, que tem quase dois metros de altura e impressiona as plateias. 
O grande poeta francês Baudelaire lamentou que o direito à contradição não se encontrasse na relação dos direitos humanos. Mas Jonas Vieira tem, mesmo assim, direito a se contradizer; ele, que semanas atrás elogiara a novela “Amor à Vida”, da TV Globo, agora a criticava:
-Não é “Amor à Vida”, é “Amor à Traição”, pois todo o mundo trai.
O programa se aproximava do seu término e o titular queria um fecho de ouro como os mais inspirados sonetistas.
-Com a orquestra de Andre Kostelanetz, “O Tabuleiro da Baiana”, de Ary Barroso.  E como acontecera com “Na Baixa do Sapateiro”, Ary Barroso também vendeu os direitos, não os autorais, ao maestro.
Antes de a gravação ir ao ar, chamou a atenção de todos, o que não era necessário:
-Reparem no arranjo.
E o buliçoso ritmo calou todos, inclusive o Dieckmann.

(*) Disse o Jonas que o Carlos entrou como Pilatos no Credo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário