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quinta-feira, 29 de junho de 2017

3047 - A era do rádio já era


           
O  BISCOITO  MOLHADO
Edição 5307 FM                           Data: 28 de junho de 2017

FUNDADOR: CARLOS EDUARDO NASCIMENTO - ANO:XXXIV


EU, O RÁDIO E O ROUXINOL ALEMÃO

Sou “cria” do rádio, onde comecei a trabalhar nos já distantes anos de 1940, na então única emissora  cearense, pertencente à poderosa cadeia dos Diários Associados. De operador de som, trabalho que era limitado a ligar o microfone para o locutor, e pôr discos de 78rpm, feitos de cera, uma gravação de cada lado para tocar, quando lidei com os clássicos, o jazz e o popular da época. Em pouco tempo estava no setor de produção, logo adaptei-me à rotina de escrever programas e notícias, achei que já estava no ponto, decidi viajar de mala e cuia para o Rio de Janeiro, enfrentar a selva onde muitos sonhadores pretendiam disputar uma vaga, acertei no alvo. Fiz teste para a Rádio Nacional, a maior emissora da América Latina só comparável com a BBC de Londres. Os melhores artistas, os melhores programas, os melhores redatores, os melhores boletins de notícias, aprendi com quem sabia. Cheguei ao topo, fui editor de notícias e, mais do que tudo, editor do mais famoso noticioso do Brasil, o Repórter Esso. Com a vinda da TV e, em seguida, com o golpe militar de 64, a emissora sofreu o impacto da modernidade. Já conhecido profissionalmente trabalhei em outras emissoras, no Globo e em  outros jornais. Posso dizer com orgulho, atravessei os pântanos, as florestas, tropecei em pedras, saí ileso. Tudo foi feito com orgulho, ética,  muita  dedicação e muito prazer. Amei a minha profissão.

Outra grande vantagem foi tomar conhecimento com o mundo maravilhoso da música erudita. As sinfonias e concertos, as grandes orquestras, os grandes intérpretes. Hoje, lamentavelmente, com o advento da televisão, o rádio entrou em decadência. Salvam-se umas duas emissoras dedicadas exclusivamente a notícias - a Roquete Pinto, pela sua boa programação popular e outra, a rádio MEC, de programação clássica excepcional. No mais, uma lástima. Uma pobreza intelectual de dar pena, músicas de péssima qualidade, uma verdadeira agressão ao bom gosto do ouvinte.

Por acaso, voltei a ouvir na MEC, no último fim de semana o excelente programa Sarau, muito bem dirigido, muito bem apresentado por excelente narradora. O Programa foi dedicado a uma das melhores cantoras clássicas do mundo: Erna Sack, que me fez lembra os velhos tempos do meu início. Sobre Erna Sack, fui à pesquisa, eis o que encontrei:

O ROUXINOL ALEMÃO

Desde muito cedo, Luise Weber, nascida na Alemanha em 1898, foi considerada um fenômeno, pela bela voz, quando cantava no coral da igreja, onde ficou entre os 9 e os 16 anos. Até que começou a cantar em teatros, atuando em pequenos papéis, quando, aos 30 anos, surgiram suas primeiras oportunidades, ao ser ouvida pela esposa do famoso maestro Bruno Walter, então diretor  musical da Ópera Estadual de Berlim, que insistiu com o marido que a ouvisse.

A partir dessa época, transformou-se numa das mais espetaculares cantoras clássicas de todos os tempos. Foi soprano, mezzo soprano, contralto, até que se decidiu por soprano coloratura. Era um verdadeiro fenômeno vocal, seu limite atingia alcançar as notas mais agudas, fato que ocasionava problema para os estúdios de gravação, de vez que os equipamentos da época não tinham condições de gravar as notas alcançadas.

Luise iniciou uma série de turnês pela Europa, quando foi ouvida pelo empresário teatral Hermann Sack, que a tomou sob sua proteção, pagando suas aulas de canto com os melhores professores de Berlim e de Praga, tornando-se, também, seu marido. E Luise adotou o nome de Erna Sack, com que foi conhecida mundialmente.

Em 1937, cantou pela primeira vez no Carnegie Hall de Nova York, atuando ao lado do famoso tenor Richard Tauber. Na Inglaterra, apresentou-se numa audição particular para o rei George V. Já famosa, além de óperas, fez grande sucesso ao realizar recitais cantando canções populares clássicas, como as valsas de Strauss e operetas de Franz Lehar.

Com a II Guerra Mundial, teve problemas, de vez que seu marido, judeu, esteve preso em um campo de concentração nazista, porém teve sorte, conseguiu escapar da morte. Após o conflito, reiniciou seus recitais mundo afora, atuando novamente nos Estados Unidos e na América Latina, em teatros de Buenos Aires, do Chile, do Uruguai e do Brasil, onde esteve em 1948 com o marido, e ganhou a cidadania brasileira. Os dados da pesquisa são omissos quanto a esse detalhe, não indicando em que condições se desenvolveu tal fato.

Erna Sack fez diversos filmes de cinema na Alemanha e suas inúmeras gravações musicais, ainda hoje, depois de passar por renovados processos técnicos, são tocadas nas rádios de todo o mundo. É anunciada como ”O rouxinol alemão”, uma verdadeira diva do belcanto. Morreu em 1972.


  

Um comentário:

  1. A Organização Militar na qual trabalhei recebeu alguns servidores transferidos da Radio Roquete Pinto, salvo engano, no final dos anos 90. Creio que em 1998. Imaginei que houvesse fechado. Houve muito trabalho para enquadrar em cada categoria funcional servidores das mais diversas áreas.
    Este ano minha neta fez uma divulgação na R.P. e fiquei sabendo que, para minha grata surpresa, a mesma ainda existia.
    Belíssimas biografias. Parabéns!
    Maravilhosas lembranças, música erudita, clássica, valsas, o acordar aos domingos sempre com as melhores músicas.
    Nos anos 80 além da rádio MEC, Roquete Pinto, a rádio Jornal do Brasil FM divulgava tb ótimas músicas orquestradas.
    "Belos tempos, belos dias."

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