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quinta-feira, 14 de abril de 2016

3024 - nas ondas do rádio


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O BISCOITO MOLHADO

Edição 5273SX                           Data: 14 de abril de 2016

FUNDADOR: CARLOS EDUARDO NASCIMENTO - ANO: XXXIII

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                                   ARQUIVOS DE RÁDIO
Minha "carreira radiofônica" começou em 2001. Eu ocupava uma diretoria da Secretaria de Cultura da Cidade do Rio de Janeiro. O Secretário era o inesquecível Artur da Távola. Um belo dia cruzo com o Artur num corredor da secretaria e sou saudado com um efusivo "Meus Parabéns!". Não era meu aniversário e, ao que me constava, não havia nada a comemorar. Diante disso, devolvi : "Parabéns por que?". Artur foi rápido e incisivo : "Você acaba de ganhar um programa de rádio!".
Próximo de um colapso, recebi as devidas explicações. Meu amigo havia sido indicado para reformular a Rádio MEC, que estava muito caidinha. Recebera carta branca para tomar várias providências, entre as quais criar uma nova programação para a emissora. Faria isso com a ajuda dos seus amigos mais próximos. Tudo já estava delineado em sua privilegiada cabeça. Eu ficaria encarregado de comandar o "Clube da Ópera".
A idéia era excelente. Às 17 horas dos domingos a MEC apresentava a "Ópera Completa", programa que era produzido pelo Zito Batista Filho, se eu não me engano desde os anos 50. O "Clube da Ópera" seria transmitido uma hora antes. Aficionados da arte lírica por mim convidados iriam trocar ideias sobre a ópera que seria apresentada em seguida.
Com as dicas do Artur eu superei a tremedeira inicial e, modéstia à parte, penso que me saí bem. Grandes figuras participaram desses debates. Lembro meu querido amigo Aloísio Teixeira, reitor da UFRJ. O editor Sebastião Lacerda. A juíza Comba Marques Porto. O meio-soprano Glória Queiroz, entre outros convidados também muito importantes.
Um grande fã do programa era o Carlos Nascimento, nosso inesquecível "Biscoito", que conheci através do Roberto Dieckmann. Frequentemente ele mencionava esses debates no "Biscoito Molhado", o que me deixava feliz da vida.
Minha segunda incursão radiofônica aconteceu anos mais tarde, também por convocação do Artur da Távola. Seu novo projeto era consertar a Rádio Roquete Pinto, devastada pelas administrações da família Garotinho. Passei a comandar "As Melhores Vozes do Mundo", outra "bolação" do Artur da Távola. Esse programa, ouso dizer, também deu muito certo.
Na Roquete conheci Jonas Vieira, outro personagem inesquecível. Quando fiquei impossibilitado de continuar com "As Melhores Vozes", juntei-me ao Jonas para produzir e apresentar o "Rádio Memória", que permanece no "hit parade" até hoje.
Par completar meu "curriculum radiofônico", faltou mencionar a " Rádio OSB ", que concebi quando ocupava o cargo de Diretor Executivo da Orquestra Sinfônica Brasileira. Com essa iniciativa, os concertos da OSB passaram a ser gravados, com excelente qualidade, sendo apresentados pela Rádio MEC nas tardes de domingo.
Meu trabalho radiofônico sempre demandou muita pesquisa e uma montanha de anotações. Não tenho talento para apresentar meus programas de improviso. Dezenas de cadernos atestam a trabalheira que tudo isso me deu.
Empenhado em manter acesa a chama do "Biscoito Molhado", ocorreu-me divulgar esses escritos junto aos nossos leitores. Começo hoje, com os dois textos que seguem:

                                 CHIQUINHA GONZAGA
Nem todos reconhecem o nome Francisca Edwiges Neves Gonzaga. Mas todos conhecem Chiquinha Gonzaga, a compositora e pianista brasileira que foi a primeira chorona, primeira pianista de choro e primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil. Filha de um general do exército e de mãe humilde, ela era afilhada do Duque de Caxias.
Nasceu no Rio de Janeiro no dia 17 de outubro de 1847. Com dezesseis anos, por imposição da família, casou-se com Jacinto Ribeiro do Amaral, oficial da Marinha Imperial. Logo se separou. A causa? Ela foi proibida de se envolver com música.
Passou a viver como musicista independente, tocando piano em lojas de instrumentos musicais. Também dava aulas de piano, com grande sucesso. Foi aí que começou a compor polcas, valsas, tangos e canções, tendo formado um grupo de músicos para se apresentar em festas.
Chiquinha Gonzaga é considerada a primeira compositora popular do Brasil. Seu primeiro grande sucesso aconteceu em 1877, com uma polca intitulada "Atraente". É dela a marcha "Ô Abre Alas", primeira música escrita para o carnaval de que se tem notícia, e que foi produzida para o cordão "Rosa de Ouro", do Andaraí. Em seguida ela se dedicou ao teatro de revistas e de variedades. Estreou compondo a trilha da opereta "A Corte na Roça", em 1885. Em 1911 estreou seu maior sucesso no teatro, a opereta "Forrobodó", que alcançou 1.500 apresentações, marca até hoje não superada. Outro êxito foi a partitura da opereta "A Jurity", de Viriato Correa. Em 1934, com 87 anos de idade, ainda estava na ativa, preparando a música da opereta "Maria".
No total, Chiquinha Gonzaga escreveu música para 77 peças teatrais, sendo autora de mais de 2.000 composições. Ela participou ativamente da campanha abolicionista e ajudou a fundar a Sociedade Brasileira de Autores Teatrais.
                           
SOMEWHERE OVER THE RAINBOW
O filme " O Mágico de Oz " é um clássico do cinema norte-americano, tendo concorrido a seis estatuetas da Academia em 1939, inclusive a de melhor filme do ano. Essa produção envolveu algumas curiosidades. Parte do filme foi registrado em preto e branco, notadamente as sequências que se passaram no Estado do Kansas. Para outras sequências foi utilizado um negativo em tom sépia. Finalmente, as cenas de Dorothy e seus amigos no reino de Oz foram filmadas em Technicolor.
Mas o que nos interessa de verdade nesse momento é a canção do filme. "Somewhere over the rainbow" ganhou o Oscar de melhor canção de 1939. Seus autores são Harold Arlen e Edgar Yip Harburg. Registre-se aqui mais uma curiosidade. A canção, que viria a se tornar marca registrada de Judy Garland, nasceu com o título "Over the rainbow". Dele não constava a palavra "somewhere". E um detalhe a mais merece ser mencionado. A música, que vendeu milhões de discos durante décadas, foi gravada em estúdio por Judy Garland em 7 de outubro de 1938. A versão que ela gravou quando da produção do filme guarda diferenças em relação a essa primeira. A segunda não tem introdução e contém alguns versos diferentes. Esta versão, a do filme, só chegaria às lojas de discos em 1956, quando a Metro lançou o disco da trilha sonora, coincidindo com o momento em que o filme começava a ser exibido também nas redes de televisão norte-americanas.


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