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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

2083 - Saladas Juvenis

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O BISCOITO MOLHADO

Edição 3883 Data: 17 de janeiro de 2012

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CARTAS DOS LEITORES SOBRE FILMES

Prendado mancebo,

Vossência, que tem onde “puiser” variadas informações para o lenitivo de solteironas desamparadas (é pleonasmo?), seria capaz de identificar o filme “House of Strangers”, no Brasil “Sangue do meu sangue”? Hemograma completo? Atores: Richard Conte, Susan Hayward, Luther Adler, Debra Paget, Efrem Zimbalist Jr (o Sênior era afamado violoncelista) e “last but not least”, Edward G. Robinson que fazia o patriarca e era doido pela ópera “Martha” de Flotow, ouvia-a até no banheiro.

O filme deve ser bom mesmo, até hoje me lembro do enredo e recordo até diálogos. Para insuflar o romantismo dos meus “salad days” havia uma história de amor, realista para a época, a dama que parecia leviana aguentava o rojão e a boa menina trocava o irmão que estava preso pelo que estava soltinho.

Não há urgência, nem extrema necessidade, é apenas abuso da minha parte.

Amplexos

R.

BM: Já possuímos o Dicionário Prático (virtual) Michaelis Inglês-Português, e, recentemente, adquirimos no sebão da Rua Luís de Camões, o Dicionário Bertrand Francês-Português, para ler os textos da Rosa Grieco no original. Assim, a primeira palavra aspada pela missivista, puiser, soubemos, depois de uma consulta ao Bertrand, que significa “tirar (um líquido)”. Eu seria, no caso, uma pessoa que tira leite de pedra?... Não mereço tanto. Salad days, que surge mais adiante, é uma expressão idiomática que se refere ao tempo da juventude que envolve inexperiência, idealismo entusiástico, inocência e indiscrição. Foi consagrada por Shakespeare na peça “Antonio e Cleopatra”, de 1606, e, chegou ao Biscoito Molhado pela primeira vez, através da Rosa, de maneira Shakespeariana.

No final do primeiro ato, Cleopatra, lamentando a sua ligação, na juventude, com Julius Caesar, e diz:

“... My salad days/

When I was green in judgment, cold in blood.”

Mas passemos para o filme.

Sinopse

Gino Monetti (Edward G. Robinson) é um banqueiro ítalo-americano que trata sem muita consideração seus quatro filhos, que já são adultos. Gino participou de várias atividades ilegais para construir seu negócio e agora está preso. Embora os filhos sempre estivessem sabendo dos negócios questionáveis do pai, eles lhe recusam ajuda para ficar fora de prisão. Liderados por Joe Monetti (Luther Adler), o filho mais velho, três dos filhos assumem o negócio. Apenas Max Monetti (Richard Conte) se mantém leal ao seu pai, em razão disto seus três irmãos conspiram e Max também é mandado para a cadeia. Max promete ao agonizante Gino que irá se vingar dos seus traiçoeiros filhos, mas quando ele é libertado não consegue se vingar, nem mesmo depois que um dos seus irmãos, Tony (Efrem Zimbalist Jr.), tenta matá-lo. Max deixa seus irmãos e ruma para a Califórnia para ter uma nova vida com Irene Bennett (Susan Hayward), sua noiva.

Segunda sinopse colhida para o mesmo filme:

Gino Monetti é um rude imigrante italiano que vive em Nova Iorque e enriqueceu ao fundar um banco de empréstimos para seus compatriotas. Ele adora seu filho caçula Max, que se formou advogado. Despreza, porém, seus outros filhos, que trabalham como empregados no banco. Ao ignorar a lei bancária que coibe a agiotagem, Gino perde o banco e Max vai para a cadeia por tentar subornar uma testemunha em favor do pai. Os três outros irmãos fazem um acordo e fundam um novo banco, dentro da lei. Deixam, no entanto, o pai de lado que não os perdoa e quer que Max se vingue deles quando sair da prisão.

Não vi o filme, que me parece ótimo, mas soube que o Elio Fischberg o viu, isso o capacita a conversar sobre o dito cujo com a missivista.

Sobre o fato de o personagem ser louco pela ópera “Martha” de Flotow, certamente que se trata da ária “M' appari tutt' amor”, gravada pelos maiores tenores do mundo, a começar por Enrico Caruso. Leopold Bloom, no “Ulisses” de Joyce, a entoa por diversas vezes. Recordo-me que no filme “Scarface, a Vergonha de uma Nação”, de 1932, dirigida por Howard Hawks, sempre que Paul Muni assoviava a melodia do sexteto da ópera “Lucia de Lammermoor”, de Donizetti, “Chi me frena in tal momento?...”, ele matava alguém.

Ah, já ia esquecendo, a Rosa Grieco quer saber o nome do diretor de “House of Strangers”. Como ela, que até se recorda dos comprimários do filme, deixou escapar o nome daquele que também dirigiu, no cinema, “Julio Cesar” de Shakespeare, o consagrado Joseph L. Mankiewicz?...

É charme, com toda certeza.

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-Assisti ao filme franco-brasileiro do Roberto Dieckmann “Mangas Arregaçadas” (*), porém gostei mais do livro. José.

BM: José, você não está confundindo as mangas?... Dieckmann garante que não se baseou em livro algum, que ele improvisa muito e que segue, de certa maneira, o lema do Glauber Rocha: uma ideia comestível na cabeça e uma câmera na mão.

Falando desse filme, muitos espectadores e leitores do Biscoito Molhado perguntam o que é flor de sal, um dos ingredientes do “Talharim com manteiga de sálvia e salada grega; tentaremos explicar, depois de alguma pesquisa. Flor de sal é um tempero constituído pelos cristais de sal que se formam à superfície da água, durante a produção de sal marinho em salinas. A flor do sal é colhida diária e cuidadosamente com um instrumento apropriado, sem que o fundo do mar seja tocado. É rico em micronutrientes.

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-O meu provedor da internet é o yahoo que, por sinal, depois das últimas modificações, anda muito ruim. Li, recentemente, no Biscoito Molhado, que Gulliver já havia encontrado o yahoo nas suas viagens. Eduardo

BM: Sim, no livro de 1726, de Jonathan Swift, revisto em 1735, “As Viagens de Gulliver”, ele encontra os Yahoo na sua última viagem. Tratava-se de uma raça imperfeita de “humanos” que, movida por instintos primitivos, se tornaria perigosa caso adquirisse cultura. Jonathan Swift satiriza, assim, a raça humana.

O grande compositor alemão Georg Philipp Telemann compôs uma suíte para violinos, a “Gulliver Suite”, com cinco movimentos. Um deles é o “Wild dance of the untamed Yahoo” - Dança Selvagem dos Indomáveis Yahoo. Como a obra musical surgiu dois anos depois da publicação do livro, 1728, comprova a repercussão do texto de Jonathan Swift.

Assisti ao filme “As Viagens de Gulliver”, produzido em 1939. Isso aconteceu no Cine Cachambi, in my salad days.

(*)- O filme Mangas Arregaçadas pode ser visto em: http://vimeo.com/34986622


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

2082 - de Lilliput a Brobdingnag

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O BISCOITO MOLHADO

Edição 3882 Data: 15 de janeiro de 2012

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NAVEGANDO NA REDE

Enviaram-me 305 livros, todos clássicos, para eu ler em PDF. Nunca imaginei, quando eu tinha 13 anos e li “O Guarani” de José de Alencar, até então eu só folheava os livros, ou os rasgava, na época das fraldas, que os leria em PDF. Tão abismado me senti, que procurei o significado desse acrônimo.

PDF – Portable Documents Format, ou Formato em Documentos Portáteis. Esse tipo de arquivo impede modificações depois de gerado. Agora, eu me recordo: no trabalho, os textos importantes são guardados em PDF; assim, não há o risco de alguém modificá-lo.

É evidente que esses clássicos teriam de estar na internet em PDF, pois não faltariam malucos para reescrever até “A Divina Comédia”.

Mesmo com essa segurança, não pretendo ler, em muitos casos, reler, os 305 livros disponíveis. Isso, no entanto, não significa aversão minha pela leitura no monitor de vídeo.

Há uns dez anos que não consigo mais me dedicar ao velho livro de papel, na hora de dormir, se as letras das páginas não tiverem um tamanho razoável. Se elas forem do tamanho de pequenas formiguinhas, tenho de deixá-las depois que a luz natural se vai. Para a minha visão gasta pelo tempo, as letras têm de ser do tamanho das saúvas, assim, só largarei o livro para dormir.

Felizmente, a Apple iPad lançou, há pouco tempo os tablets – computadores em forma de prancheta. Com eles, centenas de livros podem ser armazenados e fica por conta do leitor colocar os caracteres com a altura dos habitantes de Lilliput ou de Brobdingnag, além de fixar a nitidez da tela. Se eu superar a saudade do manuseio de páginas, meus problemas estão resolvidos.

Ah, sim, Brobdingnag é o lugar de pessoas gigantescas que Gulliver encontrou nas suas viagens. Nessa obra de Swift, também nos deparamos com o nome que, acredito, inspirou um dos mais afamados provedores da internet: o yahoo.

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Depois da mensagem eletrônica dos clássicos, vi recitativos, árias e caballetas cantadas pelo Mario Del Monaco nos vídeos do youtube. Assim, assisti a um Di quella pira, “trecho para destroncar o peito do tenor” - dizia o meu pai - em que o figurinista se equivocou completamente: Mario Del Monaco mais parecia o Super-Homem, que um personagem da Espanha medieval. Isso, no entanto, não prejudicou o seu canto excepcional. Era também um excelente ator: não ficava estático no palco como os artistas líricos adiposos. Possuidor de um físico atlético, atuou em “O Guarani”, no Teatro Municipal, nos anos 50, de tanga. Placido Domingo, recentemente, foi um Peri que mais parecia um cacique inca, de tanta roupa que vestiu.

É coisa séria o figurino num espetáculo de época. No cinema, usaram as vestimentas de “... E o vento levou”, Guerra da Secessão dos Estados Unidos (1860-1865) num filme ambientado na Inglaterra na Era Georgiana.

Excelente ator, como dizíamos, Mario Del Monaco narra, nas suas memórias, que participou com Rise Stevens da récita de 1952 da Carmen, no Metropolitan Opera House de Nova York. Nos ensaios – diz ele – Rise Stevens se mostrou meio amedrontada ao vê-lo de olhos alucinados de ciúme, no papel de Don José, e sugeriu ao régisseur que a arma usada para matá-la fosse uma navalha com cabo de madeira e lâmina de borracha, pintada de tinta prateada.

No palco, com o MET tomado pelo público, Mario Del Monaco escreve que, na hora de matar a Carmen, colocou a mão no bolso e sentiu “uma espécie de arenque salgado que oscilava de um lado para o outro”. Percebeu que esse detalhe ridículo derrubaria toda a cena e se desfez dessa arma, partindo para a espada de Escamillo, o toureador. Eis o que escreveu nas suas memórias:

-“Em decorrência disso, houve uma sequência totalmente realista na qual a belíssima Rise Stevens tentava fugir de mim enquanto eu a seguia. Por azar, ela tropeçou nas rendas da saia, caiu sobre o braço esquerdo e deixou escapar um grito de dor (tinha luxado o pulso). Naquele momento, “transpassei-a” com a espada e o público ficou verdadeiramente sem fôlego.”

Cabe aqui uma explicação colocada no rodapé do livro autobiográfico: na produção de Tyrone Guthrie, a cena do IV ato se passava no camarim de Escamillo- Il Toreador, e não na Praça de Touros, como nas encenações tradicionais.

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Roberto Dieckmann lança pela Triumpho 30 Produções mais um filme culinário. Imagino o espanto dos leitores ao lerem, no Biscoito Molhado, Triumpho 30 e não, Triumpho 3D. Confesso que o engano foi meu que, por problemas óticos, vi 3 dimensões. (*)

Bem, como Woody Allen, Bob Dieckmann é um cineasta prolífero: lança quase um filme por semana. Nesse, “Mangas Arregaçadas”, um casal que veio da França, Clara e Julien serão regalados com um “Filé em crosta de prosciutto e cogumelos, talharim com manteiga de sálvia e salada grega” e com um mousse au chocolat, como sobremesa.

Pode-se constatar que os habitantes do Brasil mudaram muito. Aparecessem aqui, séculos atrás, seriam eles mesmos o antepasto, o prato principal, a sobremesa e o filme se chamaria “Como era gostoso o meu francês”.

Os atores eu nem preciso nomear. Fellini teve Marcello Mastroianni e Giulietta Masina, e Dieckmann tem o seu filho Fred e a Branca. Como crítico do Biscoito Molhado o que tenho a dizer?... Eu gostaria de falar da comida, mas como não fui convidado, tenho de tecer meus comentários sobre o filme. Não tem jeito...

Percebi influências do Quentin Tarantino nas cenas em que o Chef de Cuisine, Fred Dieckmann, usa o facão, amolado por diversas vezes, para cortar ingredientes do prato, próximo aos dedos. (**) Se errar por um milímetro, o seu pai terá de colocá-lo no carro e voar para a seção de implante de dedos do hospital mais próximo. O motor do seu Jaguar da idade do Elio Fischberg pegaria logo?... Não haveria algum bloco carnavalesco em Santa Teresa impedindo a passagem dos veículos?... Felizmente, tudo correu bem.

A cena em que o cineasta fez propaganda do restaurante dos pimpolhos - Avenida San Martin 1011, Leblon – se parece com muitas do cinema nacional.

Roberto Dieckmann transpôs os asteriscos dos textos para as telas e explica o que é flor de sal, nesse filme.

O momento do “Mangas Arregaçadas” que é puro Godard ocorre quando o Fred Dieckmann trabalha perto do fogão e a sua imagem é reproduzida na tampa levantada do mencionado fogão. O que o Caetano Veloso tentou em 90 minutos, com o “Cinema Falado”, lembrar Godard, Dieckmann conseguiu em menos de 10 minutos.

“Mangas Arregaçadas” se encerra com um instigante jazz que nos remete aos filmes novaiorquinos de Woody Allen.

Cotação: bonequinho comendo. (***)

(*) Raramente a crítica pode ser transposta para a vida real. Acostumado a dar o título às obras do redator do seu O BISCOITO MOLHADO, Roberto Dieckmann não soube, talvez por exercício de rotina, fazer o mesmo com o filme em questão. “Mangas Arregaçadas” é um título que tem tudo a ver com o filme e já foi devidamente incorporado, em contrário à hipótese que inicia este asterisco. Igualmente pertinente, a íntegra desta crítica foi postada (isso é um neologismo?) como comentário.

(**) Realmente, a forma de picar alimentos com a faca próxima aos dedos assusta um pouco. Porém, garante o Fred, que nas aulas de culinária, ninguém se machuca, apesar da pouca prática e das facas bem afiadas.

Explica-se: o movimento da faca se apóia nos dedos, que ficam recurvados para o interior da mão. Não há, portanto qualquer contato entre o fio da faca e a mão do cortador.

(***) Críticas nem sempre são bem recebidas. Entretanto, o prezado leitor poderá exercer o seu direito de ser pedra e ver a sua avaliação registrada devidamente. Basta clicar em http://vimeo.com/34986622 e enviar o seu comentário diretamente no site www.vimeo.com (é necessário fazer cadastro), ou para dieckmann@globo.com

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

2081 - cacófatos, cacos e bueiros

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O BISCOITO MOLHADO

Edição 3881 Data: 12 de janeiro de 2012

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CARTAS DOS LEITORES

-Lendo o heterodoxo obituário do ano 2011 do Biscoito Molhado, estranhei que o redator do mesmo não citasse as suas reminiscências do Grande Teatro Tupi, como fez, por exemplo, com o programa TV Rio Ringue, apresentado pelo Luís Mendes. Cordélia

BM: Eram muitos os dramas de Ibsen adaptadas para o Sérgio Brito, Fernanda Montenegro, Ítalo Rossi: “Os Espectros”, “John Gabriel Borkman”, “A Casa de Rosmer”, “Casa das Bonecas”, “Hedda Gabler”. Confesso que só soube que as peças tinham esses títulos e que adaptaram o dramaturgo sueco para a TV Tupi, porque consultei a internet. Na época, anos 50 e início dos 60, o que me atraía mesmo era o cinema americano e as chanchadas da Atlântida.

Nas noites de segunda-feira, horário do teleteatro, a atenção da minha casa convergia para o humorismo das Rádios Mayrink Veiga e Nacional.

O mais próximo de teatro, que eu vi, na época, foi o Romeu e Julieta, quando a minha mãe entrou no Cine Cachambi com a filharada, para fazer hora enquanto a minha irmã não saía da aula (Colégio Coração de Maria), e o Ricardo III, com a impressionante morte do Laurence Olivier.

Lamento que não houvesse vídeo tape para espiar anos depois, o Grande Teatro Tupi, capitaneado pelo Sérgio Britto. Pensando bem, não espiaria, pois quase todos os filmes de tempos pretéritos da televisão foram apagados ou viraram cinza com os incêndios que houve.

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-Lendo o Biscoito Molhado, eu me surpreendi com o número de discos que o José Vasconcelos vendeu com a exibição humorística “Eu Sou o Espetáculo”: 500 mil cópias. Caio

BM: Meu caro Caio, escrevendo sobre o grande artista, que já estava esquecido, quando morreu, meses atrás, cometi um erro: foram 100 mil, e não 500 mil. O que mais importa é que nenhum humorista alcançara essa vendagem. José Vasconcelos, aliás, também foi o pioneiro nesse segmento fonográfico, no Brasil.

Nesse tempo, precisamente 1961, Altamiro Carrilho com sua banda gravou “Rio Antigo” e vendeu 700 mil discos de 48 rpm. Uns dez anos atrás, ouvindo o seu programa de música e bate-papo, na Rádio MEC, alguém perguntou se ele ganhara muito dinheiro com o sucesso de “Rio Antigo”.

-Fiquei milionário; moro numa mansão.” - respondeu o Altamiro Carilho como grande gozador que era.

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-Camões não cometeu cacófato quando escreveu o antológico soneto da “alma minha”, porque não existia nos idos camonianos “maminha”. - Rosa Grieco (carta falada pelo Luca na ausência da erudita dama).

BM: Rosa Grieco se refere ao soneto cujo primeiro quarteto é o que se segue:

“Alma minha gentil que te partiste,

Tão cedo desta vida descontente.

Repousa lá no céu eternamente,

E viva eu cá na terra sempre triste.”

Concordo, Rosa; Camões, sendo um dos maiores poetas da língua portuguesa, se não for o maior, não cometeria um cacófato tão evidente.

Palavras brotam, justificando a geração espontânea. Veja o caso do vocábulo “otário”, que ao Brasil chegou porque o tango era muito apreciado pelos brasileiros. Rezam as pesquisas, de uma maneira não muito católica, que otário nasceu, no século XIX, do lufardo, um calão dos bairros pobres de Buenos Aires, para designar o “homem ingênuo”. “Otária” é o nome de um leão-marinho, do sul da Argentina, que é presa fácil por se locomover com dificuldade, em terra firme.

Acreditamos que maminha também seja uma palavra relativamente recente. Filé, alcatra existiam no tempo de Camões; quanto à chã de dentro também tenho as minhas dúvidas. (*)

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-Sou um leitor assíduo dos asteriscos do Dieckmann e tomei conhecimento de uma correção que ele fez de um livro da Rosa Grieco. Nele, a erupção do Vesúvio destruiu os bombardeiros B-52, em 1944, mas segundo o Dieckmann esses aviões só realizaram voo de teste em 15 de abril de 1952. Lear

BM: Dieckmann remontou ao Vesúvio que usava cueiro, cheirava a leite. Falou das erupções da pré-história (1800 a.C.), da Idade do Bronze, da que destruiu Pompeia, em 79, e das erupções seguinte, 172, 203, 222, até chegar ao ano de 1944. Depois, exibiu o seu conhecimento de melhor aluno do Skipper (Tio Frank) em matéria de aviões.

Denominou ele os bombardeiros B-52 de “grandalhões da era do jato”

Vale transcrever um parágrafo do distribuidor deste periódico:

-“A maior erupção do século XX (do Vesúvio) ocorreu em 17 de março de 1944. Destruindo as populações de San Sebastiano al Vesuvio, Massa di Somma e parte de San Giorgio, em Cremano, enquanto que a Segunda Guerra Mundial avançava na Itália. Com o Vesúvio cuspindo lava e cinzas, os jipes do Exército U.S. Escaparam com pressa. A erupção ocorreu poucos meses após a chegada das forças aliadas em Nápoles e causou grandes problemas. Uma esquadrilha inteira de 88 bombardeiros B-25 da USAF foi destruída durante a erupção do vulcão.”

-Mea culpa. Mea maxima culpa. - confesso como redator deste jornalzinho. Na verdade, o único erro do livro da Rosa Grieco, de impressão, foi o ano, 1844 em vez de 1944 (um algarismo saiu trocado. A identificação dos aviões bélicos está certa: bombardeiros B-25. Eu, que já carrego há anos, o codinome de “Hortelino Troca-Nomes”, dei agora para trocar números, haja vista os 100 mil discos do José Vasconcelos que viraram 500 mil.

Tentarei ser mais cuidadoso.

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-Li que o pão nosso de cada dia faz mal à saúde? - Caio

BM: Bem, o Biscoito Molhado não tem ainda uma seção médica, como a “Clínica Mayo” do Globo de outrora, mas vamos, ainda assim, responder a sua carta.

-Sim, o pão nosso de cada dia prejudica o nosso bem-estar, como o molho Shoyu também. Não são apenas os pingos de suor dos panificadores que se entranham no pão, o sódio também. Há excesso de sódio no pãozinho brasileiro (não confundir com o francês) e no molho japonês.

No Brasil, consome-se em média 3.200 mg de sódio por dia, todavia a Organização Mundial de Saúde recomenda 2 000 mg. No que diz respeito ao pão de 50 gramas, há cerca de 320 mg dessa substância química, o que é considerado muito alto.

O sal - como aprendemos na escola – é o cloreto de sódio (NaCl), por isso os 320 mg de sódio do pãozinho representam 128 mg de sal.

No nosso caso específico, o Ministério da Saúde recomenda o Biscoito Molhado, pois no forno, antes de ser umedecido, não exageramos no sal.

(*) O Distribuidor do seu O BISCOITO MOLHADO vem a público discordar dessa ilação do redator. Maminha também é diminutivo de mama, que é uma palavra bem conhecida no idioma. Portanto, era cacófato, em que a alma ficava localizada no peito, pelo menos, das senhoras e senhorinhas.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

2080 - papo de adega

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O BISCOITO MOLHADO

Edição 3880 Data: 12 de janeiro de 2012

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O PRIMEIRO ALMOÇO DO ANO

Eu tinha de entregar a gravação em DVD de um documentário do canal Film & Arts sobre a vida de Van Gogh, através das mais de 900 cartas que redigiu. O assunto, quando nos encontramos, no entanto, não foi pintura, nem mesmo orelhas humanas arrancadas. Conversamos sobre o almoço da última quinta-feira, na Adega do Pimenta, o primeiro da turma no ano.

-Poxa, Carlos, você não foi?...

-Bem, Elio, depois que o Dieckmann passou a ser o único motorneiro de Santa Teresa após aquele acidente com mortes com o bonde...

-O próprio Dieckmann foi ao almoço de ônibus. - informou.

A surpresa se estampou no meu rosto.

-O 206, Carioca-Silvestre serve para ele vir aqui.- acrescentou.

Meu espanto persistia.

-Dieckmann andando de ônibus?!... Isso é uma grande surpresa para mim como seria para o Sérgio Nei.

-Pois é, Carlos, o nosso colega do Colégio Militar sempre pensou que o Dieckmann, por não ser da esquerda, não entrava em ônibus.

-E o Skipper, Fischberg?

-Compareceu ao almoço, Carlos. - deixou-me de novo espantado.

-Depois dessa, eu vou comprar ingresso para o próximo show do João Gilberto. - reagi.

-Vou citou bem o João Gilberto, pois o Skipper trata o Volkswagen dele como se fosse um artista.

-O Volkswagen, cor de café com leite, dele é como se fosse um violão.

-Eu diria mais, Carlos: um violino Stradivarius. Ao chegar, ele bateu a porta do Fusca como se estivesse com um Stradivarius poído nas mãos: usou só o polegar.

-O carro dele foi dirigido pelo Ferdinand Porsche?

-Apesar de ser do início da década de 70, é como se fosse.

-O Fusca dele é contemporâneo do SW 3200 do Luca.- lembrei-me.

-Carlos, eu não aconselho a fazer semelhantes comparações porque os colecionadores de carro têm umas sensibilidades que nós desconhecemos.

-Pelas informações que você colheu, Causídico, deduzo que você chegou na frente de todos, o que se constitui na maior surpresa, entre tantas, do almoço.

-Nada; recolhi essas informações das conversas que houve entre nós, enquanto aguardávamos os pratos e comíamos.

-Você chegou, então, depois do Tio Frank, ou Skipper para os menos íntimos.

-Cheguei depois da Branca.

-A Branca foi?!... Ninguém a citou nas trocas de e-mails sobre os possíveis comensais.

-Carlos, ela não estava no programa, pelo menos no programa original, mas o Dieckmann, sabemos todos, está sempre fazendo média. Branca se sentou e começaram um papo animado, de vez em quando interrompido por um som onamatopaico do Skipper.

-Qual?

-RÁ.

-O Volkswagen do Tio Frank foi tratado como um Stradivarius... - relembrei de modo titubeante.

-O cabelo curto e branco lhe acentua um ar senhorial assim, quando estacionou num recuo da rua, o guardador de carro da região se afastou e nem pensou em voltar atrás. Skipper era o barão que chegava, se não era Barão, era Visconde, no mínimo. Entrou na Adega do Pimenta e sentou lá no fundo.

-Você, pelo que vejo, apareceu por último.

-Carlos, eu reconheço o meu atraso, estava mais atrasado do que a Marilyn Monroe, mas continuei no meu ritmo.

-Ou seja, Elio, você não alterou a sua passada, tal qual um antílope que sabe que o leão não o alcançará.

-Percebi, pelo rosto crispado do Causídico Verborrágico, que a comparação não o agradara muito.

-Carlos, quem caça é a leoa. Se leio isso no Biscoito Molhado, sou abrigado a agir como revisor e corrigir para: “... não alterou a sua passada, tal qual um antílope que sabe que a leoa não o alcançará.”

-Elio, a questão aqui é literária: é melhor para o nosso currículo ser perseguido pelo leão do que pelo seu harém.

-Antílope... - resmungou como o animal que estava ficando em segundo plano.

-E como estava o Tio Frank no almoço?- demonstrei a minha curiosidade de ausente compulsório ao evento.

-Ouvimos as suas últimas aventuras médicas.

-Então, foi alguma coisa que se reportou ao “Ben Casey” ou “Ao Jovem Dr. Ricardo” da televisão dos velhos tempos.

-Carlos, são aventuras de alto risco e praticadas no abismo abissal, como um bungee jumper sem elástico.

-Tio Frank superará os obstáculos.- expressei esperança.

-De pulo em pulo, a conversa, no almoço, mudou para o Ceará, onde o Skipper foi com a mulher conhecer a sua família. Dormiu na maior rede da cidade e viu, às seis da tarde, uma escuridão que realçava os belos traços de cada uma das primas da mulher. No dia seguinte, alegando dores na coluna, partiu antes que iniciasse um harém, digo, uma confusão de doses equatoriais.

-Imagino o Tio Frank na terra de Iracema, a virgem de lábios de mel, contemplando as beldades do lugar... Coisa para um escritor do talento do José de Alencar criar um romance.

Nesse ponto do nosso diálogo, Elio Fischberg se ateve à atuação do garçom:

-Chegaram os pratos e o silêncio reinou enquanto se serviam.

-Quando falo em restaurantes de comidas saborosas, Elio, a Adega do Pimenta sempre me vem à mente.

Sem dar muita atenção ao meu aparte, ele prosseguiu:

-Um pouco incomodada com a falta de conversa momentânea, Branca esclareceu a boa moda do Jazz, em Santa Teresa, com seu estilo bem detalhado.

-Assisti a uma série de quase vinte capítulos de 50 minutos sobre a história do Jazz, no canal Film & Arts, recentemente e gostaria de trocar ideias com a Branca sobre os três grandes inovadores desse gênero musical: Louis Armstrong, Charles Parker e Miles Davis.

Elio continuou:

-Branca manteria o domínio da conversa se não fosse a chegada de uma mesa vizinha, em que sobressaía uma vasta senhora, que emudeceu não só a Branca, como toda a Adega.

-As pessoas espalhafatosas se fazem presentes em todo lugar.- critiquei.

-Passado o susto com a mesa vizinha, as conversas espocaram de cada lado.- contou.

E Elio se deteve nessas conversas:

- Skipper relatou que o custo de suas próximas incursões em busca de um transplante o fará reduzir o número de Fuscas de sua propriedade, no que o Dieckmann apoiou efusivamente, dizendo até que poderia tratar de vender os Fuscas sem se desfazer do rim. Depois, ainda com gracinhas, falou de um presente de casamento – trote certamente e que foi além da conta, pois o Skipper interrompeu o relato com um grande f... ficou provado que eles se conhecem há bom tempo.

-Elio, você falou das costureiras da Lapa, o que, certamente, iria coroar o entusiasmo juvenil do Skipper?

-Não, também não tratei dos domínios dos judeus das cercanias da Rua de Santana, perto da Praça 11 de Junho, onde a maior parte da comunidade judaica residia e trabalhava. Prato cheio de detalhes da sociedade dos anos vinte aos quarenta, infelizmente pouco recheada de automóveis, o que desapontaria o Skipper.

-Eu julgava que o Carlos Alberto Torres, o grande Capitão, comparecesse ao almoço.- falei.

-Quando passamos a tratar dos ausentes, falamos especialmente dele. Contaram sobre sua última coleção, de espremedores de laranja e de limão, de louça e de vidro, diagnosticando um fim preocupante para a sua liberdade de gastar, visto que a família do Capitão certamente o interditará. Relatei que, por muito menos travessuras, inúmeros pais de família ficaram reduzidos ao casa-trabalho-casa, sem hobbies ou diversões, até que o pó da rotina os invalidasse para o prazer. Quando iam falar de você, o Distribuidor pediu a conta, pois tinha de trabalhar. Ou marcar ponto. Ou os dois.

E concluiu: Dieckmann saiu de lá dando vivas aos taxistas de Maria da Graça, pois não havia um táxi em Santa Teresa na hora de ir embora.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

2079 - maiores abandonados

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O BISCOITO MOLHADO

Edição 3879 Data: 10 de janeiro de 2012

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O PRIMEIRO SABADOIDO DO ANO

-Soube que o Daniel vai trocar os Correios pela Casa da Moeda.

-Já trocou. - enfatizou o Cláudio.

-Mesmo que deixe grandes amizades nos Correios, deve-se pensar profissionalmente.

Meu irmão me interrompeu:

-O ônibus da Casa da Moeda passa aqui às 6h 20min e o leva para Santa Cruz; acaba o expediente e o traz de volta. Ele não se preocupa com atrasos e pega o fluxo do tráfego no sentido contrário.

-Pode-se até dormir na viagem.

-Daniel passou em décimo lugar no concurso para nível superior, de dois anos atrás e só agora foi chamado, isso porque houve desistências.

-Em todos os sentidos, a Casa da Moeda é melhor do que os Correios para ele?- perguntei.

-Só não é no Plano de Saúde; nos Correios, ele podia agregar a mim e a Gina, mas isso é o de menos.

Nesse instante, apareceu o Daniel.

-Parabéns por estar trabalhando agora perto da moeda n° 1 do Tio Patinhas.

-Ainda não sei distinguir Bangu de Campo Grande, Carlão.

-O lastimável é que, agora, você fica longe das turistas suecas...

-É verdade.

-Em compensação, distancia-se dos velhos mal-humorados de Copacabana e adjacências.

E completei:

-Dona Argentina deve estar inconsolável com a sua perda.

-”E o Plano de Saúde de seus pais?...” - disse-me ela.

-A chefe tentou a chantagem emocional, mas você escolheu o que era melhor, em termos de profissão e fez bem. - comentei.

-Carlão, se você quiser ir ao computador, está liberado.

-A Gina foi ao supermercado. - informou ao Cláudio, enquanto eu seguia com um pen drive para a Lan House do meu sobrinho.

Lá, abri o filme “Arriba, México”, da Triumpho 30 Produções. Era mais um documentário do Dieckmann sobre culinária. Assisti a uma tartaruga gigante sendo banhada e me indignei, pois calculei que a preparavam para a panela. Não houve necessidade de eu acionar uma ONG, pois era apenas uma limpeza para deixar o quelônio com o casco brilhando como a carroçaria de um Jaguar. Depois, apareceu o Dieckmann reclamando (*) porque o filmavam contra o sol. Ele tem de perder essa mania de Hitchcock de aparecer nos próprios filmes...

Fischberg me enviou vídeos do youtube com apresentações da cantora Sarah Vaughan. Antes de abri-los, olhei para dentro de mim em busca das minhas deusas do canto. Magda Olivero... Eu a ouvi na transmissão da Rádio Ministério da Educação e Cultura, do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em 1964, cantando a ária do Mefistófeles, l' altra notte in fondo al mare. Momento único: a plateia, enlouquecida, não parava de aplaudir e gritar por bis. O baixo Cesare Siepe, o protagonista da ópera, enciumado, corre para o aeroporto e compra passagens de volta para a Itália, largando a temporada lírica internacional do Rio de Janeiro no meio.

Agora, contentava-me com um vídeo do youtube em que ela cantava a mesma ária, em 1976. Cliquei para ver e ouvir de novo. Fui para outro filme; dessa vez, Magda Olivero cantava, num programa de televisão, com o tenor Claudio Villa, o “Dueto das Cerejas” da ópera “Amico Fritz”. Antes, num momento de descontração, o tenor subiu numa espécie de banco, porque era bem mais baixo do que ela.

Ano passado, Magda Olivero, completando 100 anos de idade, foi celebrada pelo mundo lírico italiano.

A primeira sessão do Sabadoido já transcorria e eu, abandonando as boas reminiscências, voltei ao presente e fui para lá. Gina já havia chegado das compras e, antes de me saudar, anunciou que iria ao Méier.

Como fizera no último Sabadoido de 2011, Luca sacou um artigo do Ruy Castro e se pôs a lê-lo para provocar comentários. Tratava-se da nacionalidade de pessoas famosas que se incorporaram de tal maneira a outros países, que muitos desconhecem a sua origem.

-De Carmem Miranda e Carlos Gardel eu não preciso falar porque todos sabem que ela nasceu em Portugal e ele na França.

Para não polemizar, não me referi àqueles que garantem que Gardel é de origem uruguaia.

-“Irving Berlin, autor do hino nº 2 dos EUA (God Bless America) e do clássico sobre o Natal, “White Christmas”, além de canções que fizeram a glória da música americana, como Cheek to Cheek”, era nascido em Mohilev (**), então na Rússia.”

Sem esperar que o Luca terminasse a frase, meu irmão entoou o início da canção, acompanhado em seguida pelo Luca, que citou as danças de Fred Astaire.

-Irving Berlin tem mais de 3 mil composições, compunha letra e música. Havia um teatro que se dedicava às obras dele.

-É mesmo, Carlinhos?

-Ele foi um dos grandes compositores. - ratificou o Cláudio.

-Há um DVD sobre o Antonio Carlos Jobim em que o Stan Getz lista os maiores compositores populares da primeira metade do século XX: George Gershwin, Cole Porter, Jerome Kern e Irving Berlin. Quando Stan Getz afirma que entre os três maiores compositores da segunda metade do século XX está o Tom Jobim, este tirou o chapéu, em agradecimento. - manifestei-me.

Luca prosseguiu com mais comentários sobre o artigo do Ruy Castro.

-Quanto ao fato de o Bob Hope ser inglês, em vez de americano, não diz muito, porque é quase a mesma coisa.

E acrescentou com espanto:

-Mas o Yves Montand ter nascido na Itália?!...

-Para mim, Yves Montand era tão francês quanto... - parei a tempo, pois ia citar Napoleão Bonaparte.

-Eu também desconhecia. - confessou o Cláudio.

-O Rin Tin Tin... - enfatizou o Luca.

-Espera lá, Luca, houve sete Lassies...

-Mas Ruy Castro se refere a só um Rin Tin Tin, pois colocou os anos de nascimento e morte entre parêntese – 1918-1932.

-Eu sei que o Rin Tin Tin salvou o estúdio dos Warner Brothers da falência. - interrompeu-lhe o Cláudio.

-”Rin Tin Tin era francês de Lorena. A qual, então, era alemã.” - leu.

Nesse instante, surgiu na primeira sessão do Sabadoido de 2012, o Daniel. Luca se voltou para ele.

-Você colocou o meu vídeo da “Dama das Camélias”, na Internet, e o Fischberg disse que já houve 80 mil acessos.

-Pois é, até agora eu não vi o dinheiro. Cadê os direitos autorais? - reclamou meu sobrinho.

-Eu também tenho uma participação nisso.

-Você tem direito de arena, Luca. - falei para ele.

-Isso foi coisa do Carlão. - declarou o Daniel.

(*) Obviamente, o redator do seu O BISCOITO MOLHADO entende de letras e não de imagens. Quem é filmado contra a luz, longe de reclamar, deve agradecer, pois as rugas somem mais depressa do que se a pessoa fosse imersa em uma tonelada de Omega 3. Acionado, o nosso Departamento de Pesquisas Alimentícias informa que há 0,0053g de Omega 3 em 1 Kg de salmão; em decorrência, para se obter uma tonelada de Omega 3 será necessário espremer 190 toneladas de salmão, o que poderá provocar um desequilíbrio entre as espécies – é melhor ficar contra a luz.

(**) Há controvérsias. Irving Berlin ou nasceu em Mohilev (Mogilev) na atual Bielo-Rússia ou em Tiumen, Sibéria, ainda parte da Rússia. Ambas eram cidades do Império Russo, aquele do Czar, em 1888, quando o nosso Berlin nasceu.